Técnicas e Desdobramentos
Transnográfia
Uma ferramenta de escrita codificada que nasce da reivindicação de autonomia dos corpos trans. Através de nós e cores, propõe um sistema de comunicação que une arte, ancestralidade e resistência, valorizando a opacidade frente às lentes únicas da colonialidade.
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Audiovisual
Obras e registros em vídeo que afirmam memória, cultura e existências dissidentes.
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Sobre o Projeto
Transancestralidade: Criando Tecnologias e Estratégias de Sobrevivência
A arte, a memória e o corpo como territórios de reinvenção e manifestação são os pilares do projeto "Transancestralidade: Criando Tecnologias e Estratégias de Sobrevivência", uma iniciativa que busca expandir horizontes e descentralizar saberes a partir de experiências artísticas e comunitárias. Com a participação de seis artistas de regiões diferentes do país que atuam na promoção da cultura e dos saberes das mais velhas, a proposta se materializa em uma residência artística e em uma série de oficinas que dialogam com a construção de imagem, a transmutação têxtil, as tranças, a escrita e a pintura.
Pensando para além da territorialidade geográfica, o projeto propõe uma jornada sensorial que resgata e registra práticas transancestrais ao mesmo tempo em que as reinventa, plantando caminhos para novos futuros. A troca de conhecimentos e experiências visa fortalecer identidades, criar redes e possibilitar a construção de novas narrativas sobre corpos e histórias que, por muito tempo, foram invisibilizadas.
Ao longo do processo, os participantes terão a oportunidade de desenvolver estratégias que vão além da produção artística: trata-se da invenção de verdades novas, da criação de movimentos atemporais e da afirmação de existências que reconfiguram as formas de estar no mundo. A culminância do projeto será uma exposição, onde as obras e experimentações desenvolvidas durante a residência e as oficinas serão apresentadas ao público, estabelecendo diálogos que atravessam o passado, o presente e o futuro.
Mais do que um espaço de criação, "Transancestralidade" é um movimento de resistência, um convite à conexão e à imaginação de novas formas de viver e sobreviver.
Quem Somos
Daena Lee (ela/dela)
Graduada em licenciatura em artes visuais pela Univap (Universidade do Vale do Paraíba) e pesquisadora do Núcleo Abantesma. Nascida em Taubaté e criada desde o nascimento em São José dos Campos, desde muito cedo teve contato com a arte, o artesanato e os costumes do povo valeparaibano, através da Casa de Cultura Chico Triste. Em sua pesquisa a artista busca trazer questões do corpo, o emocional e a arte ativismo em seus trabalhos e explorar o seu eu e o meio, em uma tentativa de comunicar ao público, sobre suas questões identitárias, socioculturais e políticas, como uma forma de criar e levar os debates para outros espaços..
Nicolau (elu/delu ele/dele)
Artivista sobrevivente do sistema carcerário durante a pandemia, artista plástico capilar, engenheiro, poeta e escritor. Como artista capilar e plástico, realiza o estudo de estruturas, incorporação de tecnologias, resgate de estéticas, forças e métodos criativos ancestrais. Nicolau relembra, pesquisa e aplica técnicas ancestrais para a promoção de liberdade em todas as áreas de atuação. Pensando a circularidade da vida, atrela sua vivência à vivência dos seus ancestrais e pauta a real mudança das coisas com o decorrer do tempo. Dentro de tudo isso, faz uso dessas facetas como meio para maquinar novas formas e tecnologias de sobrevivência, para um futuro livre e seguro.
Dorot Ruanne
Multiartista paraibana, graduanda em Ciências Sociais (UFPB). Agente Territorial de Cultura pelo MinC na Paraíba, empreendedora da marca ADOROT, e Mãe Fundadora da Casa da Baixa Costura, coletiva e kiki house que faz da estética arma de empoderamento usando as tecnologias ballroom. Baixa Costura é uma tecnologia de sobrevivência que valoriza o improviso, a criatividade e a sustentabilidade, é transmutar o lixo têxtil e criar possibilidades, sendo um contraponto à alta costura elitista, reafirmando as urgências socioambientais do sul global.
Ronna (ela/dela)
Pesquisadora, professora e ativista transfeminista, mestra em Estudos da Linguagem e doutoranda em Letras. Fundamentada principalmente em epistemologias trans-travestis, com atuação artística e acadêmica multi/transdisciplinar, interessada principalmente em discussões sobre memória, ancestralidade e identidade trans-travesti brasileira. Com pesquisas localizadas nos campos da linguagem e epistemologias trans, passeia principalmente pelas discussões de memória, voltada principalmente para memórias trans brasileiras, mas também discussões de ancestralidade e identidade.
Rafaela Correia(ela/dela)
Travesti Afro-indigena de 27 anos, natural de Porto Velho (RO). Atualmente, é Agente Territorial de Cultura, cursa Licenciatura em Teatro na Universidade Federal de Rondônia e desenvolve projetos culturais e audiovisuais voltados para a comunidade LGBTQIAPN+ e a cultura amazônica. Pela Lei Aldir Blanc, durante a pandemia, foi responsável pelo curta-metragem “Caipora” e pelo projeto “Festival das Bee: Online”. Além disso, por meio da Lei Paulo Gustavo, em 2025, realizará o curta documental “Rainhas do Madeira” e o projeto “III Orgulho com Local: Visibilidade Trans”. A criação de narrativas visuais por meio da pesquisa e da elaboração de registros pessoais, sobrepostos a texturas, fundos e intervenções, com o objetivo de criar ficções. A matéria-prima do trabalho consiste em memórias e fotos de família, que serão transformadas em pesquisa..
Exposições
Exposição Assis
"Passado Que Nunca Passa"Pol Iryo
O Brasil é um país marcado pelo racismo e transfobia estrutural; consequentemente, alguns corpos são marcados e inferiorizados. Uma herança colonial que reverbera materialmente em corpos reais, que sempre foram abjetos, nunca legitimados como sujeitos pela História. Ora, basta abrir um livro considerado “clássico” ou “canônico” para nos deparamos com narrativas que se limitam a um olhar manchado pelo sangue de um genocídio perpetuado por séculos e um epistemicídio que permanece nas entrelinhas das tradicionais referências como gritos silenciosos.
Como confabular sobre um futuro onde a violência do passado se faz tão latente? Essa exposição urge da necessidade de entender o passado como um fenômeno vivo, que se manifesta no presente. Através de suas artes transdisciplinares, 5 artistas, aqui presentes, exploram as memórias que por muito tempo foram esquecidas, ou melhor, apagadas.
O futuro se constroi a partir de uma interpretação do passado que ecoa no tempo presente. A arte se torna uma ferramenta de resistência para explorar aquilo que ainda está presente. A repetição se propaga de forma estratégica. Aqui, tudo é uma escolha, as narrativas não operam a partir da falácia do progresso. Ao invés do desenvolvimento, o que se apresenta aqui é o envolvimento entre as multiplicidades de corpos, narrativas e temporalidades.
Esta exposição não propõe respostas definitivas, mas sim fissuras, reverberações e alianças. Um espaço onde o tempo se dobra e o futuro é (re)imaginado à luz do que persiste.
Exposição SJC
"O Futuro Que Nunca Chega"
Pol Iryo
No cotidiano, escutamos discursos carregados com uma inocente esperança acerca do futuro. Fenômenos como o do “pensamento positivo” ou da “evolução natural” preenchem o imaginário social. Crenças moldadas por uma perspectiva colonial e irresponsável. Mas onde há repressão, há resistência. A existência não é apenas sobre uma possibilidade de vida que adiamos para o amanhã, mas se faz no momento presente em consonância com rastros ancestrais.
Esta exposição propõe um espaço de escuta, reverberação e imaginação crítica. Reunindo artistas cujas práticas atravessam temporalidades, corpos e territórios, ela convida o público a refletir sobre os mecanismos que sustentam narrativas hegemônicas de futuro. Ao ativar memórias silenciadas e cosmologias dissidentes, as obras aqui apresentadas tensionam as estruturas de poder que insistem em apagar a diferença.
Não há mais tempo para gastar com narrativas únicas e comprometidas com um sentido raso de Verdade. Outros saberes são explorados nesse espaço. Diferentes cosmologias, cada uma com sua singularidade, constroem um conhecimento mais rico e diverso, como os biomas que habitam o que alguns chamam de Brasil, mas também conhecido como uma parte de Abya Yala.
Exposições Campinas
Sala dos Toninhos
"Espiralando a Existência"Curadoria: Pol Iryo
2025. São tempos de urgência. As crises se amontoam. Reverberam em nossos corpos através da poluição, que torna até mesmo respirar uma tarefa difícil. Ou por meio do medo, que paralisa nossos corpos em meio a perseguições (necro)políticas. Deixar-se levar pela flecha que marca o tempo cronológico colonial pode ser tentador, mas a passividade é uma sentença, e estagnação.
Esta exposição é uma tentativa de retomar o controle sobre as narrativas transvestigêneres. Parte do encontro de cinco artistas brasileires que se uniram em busca de uma arte mais plural, que possibilite uma dilatação do imaginário social. Através de suas obras transdisciplinares, se arriscam no que eu chamaria de um processo de criação de mundos a partir de um presente pulsante. A multiplicidade de linguagens reflete a multiplicidade de corpos e his/estórias. O que está em jogo é o aqui e o agora, que, a partir de uma perspectiva situada, brinca com os fios que se emaranham no tempo presente, a partir do passado e do futuro.
Aqui e agora não há mais tempo, nem lugar, para uma linearidade. Muito menos para um roteiro pré-estabelecido que determina os papéis sociais, ou mesmo as pré-imaginadas “fases da vida”. Aqui e agora, não há previsões ou novidades - em seu sentido literal. Aqui e agora, estamos presentes por inteiro, para conseguir contemplar a dança entre ancestralidade e porvir. Aqui e agora, esquecemos estrategicamente o tempo mecânico e apostamos no presente como um processo de mundificação.
Local: Sala dos Toninhos - Estação Cultura
Data: 2025
Museu da Cidade
"Como é Possível Viver Todas Essas Temporalidades Simultaneamente?"
Curadoria: Pol Iryo
2025. São tempos de urgência. As crises se amontoam. Reverberam em nossos corpos através da poluição, que torna até mesmo respirar uma tarefa difícil. Ou por meio do medo, que paralisa nossos corpos em meio a perseguições políticas. Deixar-se levar pela flecha que marca o tempo cronológico colonial pode ser tentador, mas a passividade é uma sentença, e estagnação. A falta de movimento e atividade é a morte. Em sua oposição, temos a vida, que flui como as águas de um rio, sempre em movimento.
O Brasil é um país marcado pelo racismo e transfobia estrutural; consequentemente, alguns corpos são marcados e inferiorizados. Uma herança colonial que reverbera materialmente em corpos reais, que sempre foram abjetos, nunca legitimados como sujeitos pela História. Ora, basta abrir um livro considerado “clássico” ou “canônico” para nos deparamos com narrativas que se limitam a um olhar manchado pelo sangue de um genocídio perpetuado por séculos e um epistemicídio que permanece nas entrelinhas das tradicionais referências como gritos silenciosos.
Esta exposição urge da necessidade de retomar o controle sobre as narrativas transvestigêneres. Parte do encontro de cinco artistas brasileires que se uniram em busca de uma arte mais plural, que possibilite uma dilatação do imaginário social. Através de suas obras transdisciplinares, se arriscam no que eu chamaria de um processo de criação de mundos a partir de um presente pulsante. A multiplicidade de linguagens reflete a multiplicidade de corpos e his/estórias. O que está em jogo é o aqui e o agora, que, a partir de uma perspectiva situada, brinca com os fios que se emaranham no tempo presente, a partir do passado e do futuro.
Aqui e agora não há mais tempo, nem lugar, para uma linearidade. Muito menos para um roteiro pré-estabelecido que determina os papéis sociais, ou mesmo as pré-imaginadas “fases da vida”. Aqui e agora, não há previsões ou novidades - em seu sentido literal. Aqui e agora, estamos presentes por inteiro, para conseguir contemplar a dança entre ancestralidade e porvir. Aqui e agora é dedicado ao ato de confabulações especulativas entre humanos e mais-que-humanos. Aqui e agora, esquecemos estrategicamente o tempo mecânico e apostamos no presente como um processo de mundificação.
Local:
Data: 2025
Transnográfia
Transicionar é, dentre tantas coisas, reivindicar a autonomia do próprio corpo. Transnógrafia é parte desse processo, quando reivindicamos nesta criação também determinada autonomia nesses novos modos de escrever o mundo na linguagem.
A transparência que foi infiltrando os corpos e as mentes graças a colonialidade foi produzindo lentes únicas para se ler o mundo. Tenta tornar todos os processos culturais diversos legíveis a partir da mesma ótica. Com a transnógrafia, também nos recusamos a isso. Queremos a opacidade.
As experiências da transgeneridade no brasil passam por movimentos expropriadores intensos. Essa nação nos roubou e tem uma dívida com a gente. E inventou mentiras sobre nós. O sistema de representação moderno tenta há muito tempo nos assimilar para que caibamos na inteligibilidade. Nós seguimos nos debatendo em fuga.
Transnógrafia também nasce de um desses movimentos de fuga, mas também de criação. Que só se acesse de nós o que permitirmos, ou ainda, o que for possível desvendar.
Transnógrafia é uma ferramenta de escrita que se realiza a partir de nós e cores, mas que possui variabilidades no registro a partir do suporte ou intenção de produção.
Co-criação de Nicolau Andreass (@netodadita) e Ronna Freitas de Oliveira (@r.frts) durante o processo da Residência artística Transancestralidade, foi aplicada em oficinas e resultou em obras de arte que se utilizam dessa tecnologia de escrita. No brincar com sentidos possíveis sobre linguagem, num passeio por tecnologias dos nós e num mergulho no mistério nasce a transnógrafia. E sondando nas dobras do tempo, seguimos buscando ao mesmo tempo jeitos de rememorar e de dizer o que ainda não foi dito.
A Transnógrafia insere-se de maneira singular no contexto contemporâneo ao propor uma escrita codificada que une arte, ancestralidade e resistência. Por meio de nós e cores, cria-se um sistema de comunicação visualmente acessível, mas que preserva camadas de opacidade e significado restrito a quem domina seus códigos.
Audiovisual
Audiovisual reúne registros, documentários e experimentações em vídeo que atravessam memória, território e vivências dissidentes. São obras que nascem do encontro entre arte, cultura e política, compondo um acervo vivo de narrativas que tensionam o apagamento e afirmam existências.
Transancestralidade (2025)
Mitologia Têxtil
Protótipo
Brotar